quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Enemmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmm


Sinceramente, quando me falam sobre o Enem, já me dá azia, é nem mesmo. Isso virou piada, só o MEC ainda não conseguiu ver a graça ou a falta dela, o que é pior. Há três anos consecutivos o exame é vitima de fraudes, há três anos estudantes e estudantes depositam no Enem sua vida, suas expectativas, direcionam seus estudos, pagam cursinhos, se viram para o famoso Enem. Que vira em nada, a credibilidade do exame já foi discutida por várias universidades e muitas, inclusive, não utilizaram a nota obtida pelos candidatos no Enem ano passado porque ele não é confiável, quiçá a utilizarão neste ano.
Primeiro foi o roubo das provas, aconteceu em uma gráfica terceirizada, problema, o MEC deveria ter a gráfica para impressão das provas, coisas sigilosas não deveriam ficar soltas aos quatro ventos, uma gráfica ali, outra gráfica aqui. Isso é ingenuidade quando se pensa, um minuto que seja, no valor que uma prova dessas tem. No quanto ela pode modificar a vida daquele que a fez e, principalmente, nos subterfúgios que alguns usam para obter êxito na mesma.  Somos humanos e como tal sabemos de nossas fraquezas. Fora isso, ainda existem os problemas políticos, que envergonham a todos nós, mas eles não têm esse pudor, podem ajudar a sabotar sim, não pensando, isso é claro, na competência do aluno, mas na incompetência  do governo.
Na segunda vez foram os gabaritos trocados, inadmissível, completamente inadmissível, será que o Ministério da Educação não tem um revisor/conferente?  Havia na prova inúmeros erros de concordância, mas eles não viram, como poderiam perceber, se nem a especificação das provas no gabarito eles conseguiram ver que estava errada, mas o gabarito é muito complexo, não tem como perceber  mesmo.
Terceiro round, questões que vazaram, até onde eu entendo de encanamento só vaza onde existem furos. É mesmo necessário fazer um pré-teste e expor as prováveis questões de um exame tão “importante” a  alunos que o farão no futuro? Até onde vai minha capacidade cognitiva, o professor que elaborou a questão sabe, exatamente, o que quer avaliar e a capacidade de decodificação que se pretende de um aluno ao final do Ensino Médio, se ele não sabe, pode mudar de profissão. Isso é ridículo, o principal exame do país ter um pré-teste. Estamos concorrendo a quê? Para mim parece mais com manipulação de resultados em nome de uma questão política, para variar, muito mais complexa. Que eu não sei, mas não quero saber, vou ter azia novamente se souber.
 Não questiono a importância do certame, mas não vejo a necessidade de que ele seja nacional, entenda-se nacional como “elaborado” pelo MEC, sem critérios e sem, principalmente, como tanto clama a pedagogia, considerar a realidade do aluno examinado. Paulo Freire, tantas fezes aclamado, falava da leitura da palavra mundo, a realidade de cada indivíduo. O Enem fere completamente essa teoria, assim como fere muitas outras e principalmente a realidade educacional de nosso país.
O certame deveria ser por regiões, assim conseguiria envolver a realidade de cada aluno, suas vivências e as condições educacionais a que cada um foi submetido, não tem como fazer um exame nacional com a condição social na qual estamos inseridos. As divergências são inúmeras, é desumano o que estão a fazer com nossos estudantes e o MEC sabe disso.
Mas entre o MEC saber e alguma coisa ser feita, demora muito tempo, sendo assim deixo minha sugestão que, aliás não é só minha, é de alguns colegas que compartilham da mesma opinião que eu. Se o MEC não tem, e isso é notório, condições de fazer o certame, passe a responsabilidade para as universidades federais de cada estado, elas têm gráficas, elas conseguem sigilo, elas conseguem fazer o vestibular acontecer e lidam com uma quantidade imensa de candidatos. Talvez seja melhor dividir o trabalho entre os órgãos federais do que terceirizar, a terceirização não está mostrando resultados satisfatórios.  E nem vou começar a falar nos prejuízos financeiros. A.Q.C.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Eu preciso de aulas de estatística

Não sei se vão concordar comigo, mas a política adotada em nosso Estado para a chamada educação, não está funcionando. Ela serviu para plantar o princípio da discórdia entre alunos, professores e grupo gestor.
O Aluno acha que o professor ganha um prêmio por dar aulas e como quase todo aluno odeia os professores, pronto, está feito o problema. Ele não se lembra, em momento algum, que o professor, como ele, também tem filhos, mãe, cachorro, papagaio e por ai vai e que, principalmente, ele, o aluno, precisa comparecer às aulas, participar das atividades, respeitar o professor, para depois cobrar. Aliás, parece que todos esqueceram essa parte, a dos deveres, só andam correndo pelos corredores os direitos. Sabiam que seus direitos acabam onde começam os meus? Sabiam que para cobrar é preciso fazer, primeiro, a sua parte?
O professor acha que o coordenador agora virou carrasco e que sua única função é cortar o ponto e ele quer ganhar o maldito bônus. Se a categoria tivesse um mínimo de bom senso faria um acordo abrindo mão da esmola do secretário se você for trabalhar morrendo, muitos vão, a maioria acaba pagando, como sempre por um pequeno número. Eu já vendo minha força de trabalho por muito menos do que eu mereço ganhar, agora, acha que por 1.500 reais a mais, que ninguém nem sabe se vão ser pagos mesmo, vou sair de maca ou deixar um parente meu doente sem auxílio, sinceramente, nem com todo o rigor da iniciativa privada, para a qual eu já trabalhei anos, vi tamanha desumanidade.
O vice-diretor, que antes era coordenador geral e fazia o elo entre os turnos de uma escola que funciona com quatro realidades diferentes, virou bedel. Sua nobre função é correr atrás de alunos nos corredores. Na escola na qual trabalho a piada ainda fica maior, o vice-diretor é Mestre em Educação, aceitou o cargo cheio de projetos. Se fosse economista teria um destino melhor.
Tem aluno nas redes sociais acreditando mesmo que essa política vai dar certo, claro, pensando no prêmio que o governo disse que vai oferecer para os melhores alunos, mas na cabeça dele ser o melhor aluno não tem uma relação direta com ele estudar, está ligada ao professor ir e olhar para ele brincando no celular e tudo dar certo no final. Só mesmo rindo com um caos desses.
Ofereceram até uma parceria com escolas particulares para preparar alunos para o ENEM, na verdade o interesse do governo não é a performance dos alunos no ENEM, é o IDEB que ele quer a qualquer custo elevar, para ganhar mais verbas do governo federal que nunca chegam as nossas escolas, pergunto a vocês: algum aluno da nossa escola recebeu essa bolsa para cursinho na rede particular? Não, nenhum. Olhem a lista e vejam onde eles estão investindo, a maioria dos alunos são os das escolas militares.
É um fato para o qual todos querem fechar os olhos, mas a indisciplina dos alunos e a ausência da família tornaram-se o maior problema do sistema educacional. A conta é simples, nas séries iniciais são aplicadas provas para os alunos do 5º ano, eles têm uma única professora, pais que levam o filho até a porta da sala, que olham cadernos, que participam das reuniões, em fim: que vão à escola, temos x.
Na segunda fase, que avalia alunos de 9º ano, temos, na maioria esmagadora dos casos, adolescentes que ficam sozinhos em casa, pais que nunca aparecem na escola, crianças, que o Estatuto da Criança e do Adolescente não considera mais como crianças, completamente sós, essa falta de acompanhamento na fase mais difícil de nossas vidas reflete no desempenho, a equação é x-2.
Já no Ensino Médio, a realidade é outra, avaliam alunos do 3º ano, são alunos mais maduros, que, na sua grande maioria despertaram para a realidade e almejam um curso superior, a família ainda está distante, mas o adolescente começa a sentir novamente a presença dos pais que querem que ele faça um curso superior, muitas vezes nem são os pais, eles sentem essa necessidade e, novamente, nossa equação muda, temos x -1.
Essa dança dos números pode ser observada em todas as avaliações de desempenho aplicadas às diferentes etapas do ensino, fica notória que a falta de participação da família tem, de forma brutal, contribuído para o baixo desempenho dos estudantes. Se analisarmos o desempenho de estudantes há vinte anos, quando a estrutura familiar era outra, quando nossa economia permitia que os pais tivessem uma carga de trabalho menor, com certeza essa dança de números seria outra. Não conheço confesso, os números dessa época, se é que nessa época existiam essas estatísticas.
Não retiro a nossa parcela de responsabilidade nesses “números”, mas a coisa já começa errada no nome que querem nos atribuir: educadores, eu não sou educadora, eu posso ser formadora de opinião, minha obrigação é esclarecer e ensinar conteúdos, quem educa é pai e mãe. E fica muito fácil para o governo, que conhece, muito melhor que eu essa realidade, colocar a culpa no professor, é muito difícil assumir que, na verdade, o problema é socioeconômico e, principalmente, político.



Seca


Lá em casa tinha um cacto, era fácil de cuidar, eu olhava pra ele e ele pra mim todo dia. Ele lá na sua cactice e eu aqui, em minha “solistência”. Nunca o via sentir nada, sempre verde, robusto. Parecia nem aí, água duas vezes ao ano e ele lá, no canto, na dele. E nós, cada um na sua, anos e anos de intimidade, felizes em nosso silêncio mudo.
Eu, que com nada preenchia a vida, pensei em um cão, logo lembrei das fezes, desisti. Pensei no peixe, a temperatura, deixei de lado. Um pássaro, não, muito barulho. Esquece, sigamos eu e o cacto.
Encontrei-a mais ou menos nessa época, ainda achava que faltava algo quando a vi verde, viçosa, úmida, viva, linda...não resisti, levei-a para casa.
Coloquei-a na varanda, nossa, que diferença, a casa parece que ficou outra, uma vida, um cheiro... Foi a primeira vez que o cacto mudou, ele deu uma flor, uma flor grande, avermelhada, linda.. Eu, ignorante que era, nem sabia que ele era capaz disso, dar flor...um cacto?
Duas semanas vivemos assim: eu, o cacto e ela, na mais pura harmonia. Sempre me sentava para escrever e olhava os dois na varanda, tão diferentes, tão distantes, tão bonitos. Um olhando o outro...felizes, pensava eu, somos em nosso silêncio profundo.
Ela, não sabia eu o porquê, começou a cair, cair, cair, ficou amarela. Sem razão, não era inverno, era verão, época de o cacto ficar verde, e ela amarela, que coisa, mudei-a de lugar. Nada, só piorava...A flor do cacto também começou a murchar, essa foi a segunda vez que o vi sentir algo...Ela pior...ficou marrom, caiu de vez...
Droga, deixei-a lá, pendurada, amarronzada, sem graça. Passava um filme antigo esse dia, e o cacto, meio amarelo também, lá de fora me olhava, vi a moça no filme molhar uma planta, muita água, Deus...a planta era como a minha...água...água...água...tarde, a avenca secou...
Dias depois, o cacto amarelo ficou marrom, ficou preto, se foi...Morreu a avenca... Morreu ele...Morremos nós: o cacto e a avenca, a varanda e eu.
A.Q.C.

Vinte anos


Vinte anos
Sonhei, pleonasticamente falando, um sonho, pode rir, seu riso é meu gozo; ria mesmo, só mesmo um grande palhaço consegue fazer rir você.
Não se choque, só mesmo um palhaço vive a vida inteira, e já é palhaço por isso. Hilário achar a vida inteira vivida com trinta e poucos e mais alguma coisa de dor e raiva e ódio e amor.
Não se ofenda, dentro do peito do palhaço há um coração, na verdade, na verdade, várias gavetas, cada uma com um sentimento, é como seu estômago, quando todas as gavetas se abrem, dá azia.
Estou com azia hoje, as gavetas se abriram e o pepino do almoço se misturou com o ovo do jantar e a azia só aumenta.
Azia da vida, da gente que nem se sabe gente, do povo que nem sabe onde está seu nariz, aliás, azia de mim e do que eu faço aqui, entre porcos e cordeiros, entre osso buco e caviar. Entre a vontade de amar você e entre você não me amar, entre encher a cara e dormir entre... Mas sempre se acorda do sonho, do delírio.
 Sonhei, idiotamente, um sonho entre você e eu, como diz o poeta “num corte lento e profundo entre você e eu, o nosso amor a gente inventa pra se distrair”.
Como no peito do palhaço há um armário de piadas, já dizia o Chico, há no meu armário, no mais profundo do ser uma piada, mas, ainda assim, uma piada guardada no peito do palhaço que ama você de amor. Idiotamente falando.  Um palhaço apaixonado, essa deve ser a melhor definição de uma boa palhaçada. Ah, não se esqueçam dos aplausos ao final da leitura, todo palhaço sente prazer quando o circo, não se sabe por que, não se sabe onde, não se sabe como, pega fogo.

A.Q.C.